Os mitos em queda livre


Sérgio Buarque de Gusmão


A população de rua de São Paulo, cidade de 10 milhões de habitantes, é de exatas 8.700 pessoas - e, para surpresa dos que acreditam no olhar mais que na pesquisa, a maioria delas, nada menos que 75%, trabalha duro. Somente 24,9% vivem de esmola. 

O grande contingente de trabalhadores sua a camisa puxando um carrinho para catar papel, latas e ferro, e contribui não só para a reciclagem de materiais como para a limpeza da cidade - de resto maltratada pelas empresas que ganham fortunas para mantê-la limpa.

Os dados constam de uma pesquisa preparada pela Secretaria Municipal de Assistência Social.

A suposta ojeriza das crianças e dos jovens brasileiros ao Hino Nacional foi desmontada numa pesquisa rápida feita pelo Estadinho, suplemento infanto-juvenil do jornal O Estado de S.Paulo. Entrevistados cem estudantes de 8 a 13 anos, o resultado foi que 16% são contra e 84% a favor da cantoria obrigatória do hino nas escolas. A exigência está sendo restabelecida por um projeto de lei do deputado Lincoln Portela (PSL-MG), que reforça uma lei de 1971, reduzindo, no entanto, a obrigação de diária para semanal.


A maioria ( 68%) dos alunos entrevistados não sabe, evidentemente, a letra correta do hino, preparada por Osório Duque Estrada em 1909. Mas prevaleceram opiniões como a de Monize Repaldi Pircio, de 10 anos, aluna da 4ª.. série: "É um modo de manifestarmos nosso amor pela pátria. A linguagem é meio complicada, mas quando a gente entende canta com mais vontade". Monize estuda no Colégio São Bernardo, onde o canto do hino é rotina há 20 anos. No tradicional Colégio Visconde de Porto Seguro, o Hino Nacional é cantado, todas as sextas-feiras, há 122 anos.